Massao Okinaka (1913-2000)
Nasceu em Kyoto, Japão.
Em 1932 veio para o Brasil, juntamente com os pais e cinco irmãos, instalando-se em Lins, São Paulo, onde trabalhou na agricultura. Com a perda dos pais, pouco tempo depois da sua chegada ao Brasil, e por ser o filho mais velho, ele teve de criar e sustentar seus irmãos menores. Em 1940 mudou-se para São Paulo. Sete anos depois, casou-se com Alina Rei Takaishi, também pintora. Assim, passou a se dedicar somente ao sumiê.
A mudança para o Brasil fez com que ele interrompesse seus estudos com o mestre Onishi Kakyo, herdeiro da Escola Sanae, do mestre Yamamoto Shunkyo.
Para a formação completa um aprendiz deve morar dez anos com seu mestre, a fim de aprender, ao longo do tempo, todas as técnicas. A interrupção de seu aprendizado, após cinco anos, fez com que seu mestre se recusasse a nomeá-lo com o nome artístico (uma espécie de graduação).
radicionalmente, o discípulo recebe um nome composto por um kanji (ideograma) do nome de seu mestre, que será sua assinatura e o representará nessa arte.
Posteriormente, a postura do severo professor foi repensada, e Okinaka recebeu o nome de Bunsen, que significa fonte de cultura, passando a ser visto como aquele que expandiria a arte japonesa no Ocidente.
Massao Okinaka lecionou em diversos estabelecimentos de ensino, como a Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, a Universidade de São Paulo (USP), a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) e foi o criador do curso de sumiê na Aliança Cultural Brasil-Japão.
Além de trabalhar na área acadêmica, o mestre também desenvolvia atividades culturais, como integrante do grupo de arte Seibi, que incluía nomes como Tomo Handa, Flávio Shiró e Manabu Mabe.
Apaixonado pelo Brasil, Massao Okinaka chegou a fazer poesia sobre o povo e a natureza do país, e ficava satisfeito em dar aos brasileiros a oportunidade de conhecer a arte japonesa.
“Os elementos básicos do sumiê são três: simplicidade, simbolização e naturalidade. O sumiê é uma arte subjetiva. A expressão livre, que brota por meio da cor sumi e dos movimentos do pincel, reflete com serenidade o caráter e a personalidade do autor, induzindo-o ao prazer das descobertas”. A frase é de autoria do mestre Massao Okinaka, o introdutor da arte no Brasil. A definição do mestre, que dedicou sua vida à arte da pintura sumiê, sintetiza a riqueza de sua obra.
Faleceu em São Paulo, Brasil aos 87 anos.