Congresso de Educação Ambiental aborda mudança de pensamento no trabalho do professor

Por Aline Pagliarini, MTB – 74428/SP | 17 de junho de 2019

Amor, espiritualidade, arte, criatividade, ética, ensinar a viver e estudo vivo foram as palavras que movimentaram as palestras do II Congresso de Educação Ambiental, que promove a Cultura de Paz e Espiritualidade. O evento ocorreu em 25 de maio, na Fundação Mokiti Okada, em São Paulo (SP).

O Congresso foi realizado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade Socioambiental (SMASS), da FMO, e teve como palestrantes o ator João Signorelli; o professor de artes, Jayse Antonio Ferreira; a Profa. Dra. em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Viviane Mosé, e a pedagoga e Ma. em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), Camilla Schiavo Ritzmann.

Amor e espiritualidade

“O amor pulsa, educa, transcende, encoraja, motiva e possibilita a vida”; “A espiritualidade se manifesta nos acontecimentos do dia a dia e influencia os campos político, econômico, educacional e profissional”; Deus é o silêncio do universo e a humanidade é o grito que preenche este silêncio.” Foram algumas frases ditas durante o monólogo “Gandhi, um líder servidor” apresentado por João Signorelli.

Há mais de quinze anos, o ator transmite a mensagem de Mahatma Gandhi, por meio do monólogo, no âmbito educacional e corporativo. Ao final do espetáculo, ele entregou algumas rosas às mulheres que estavam na plateia e agradeceu os aplausos.

Arte e criatividade

Classificado entre os 50 melhores professores do mundo, no Global Teacher Prize, em Dubai, este ano, e vencedor do 8° e 10° Prêmio Professores do Brasil do Ministério da Educação (MEC), em 2014 e 2017, respectivamente, Jayse Antonio Ferreira, motivou os professores com a apresentação dos seus projetos e da sua experiência de dez anos dedicados à aplicação das diversas linguagens artísticas.

“Eu sou uma obra de arte” é o projeto que resgatou a autoestima e a valorização étnico-racial dos alunos. O professor, com a ajuda de docentes da Escola Estadual Erem Frei Orlando, em Itambé (PE), onde leciona, reproduziu fotos de pessoas de vários países para mostrar a diversidade, tomando como referência o livro Face a Face – uma jornada por povos do mundo, de Alejandro Szanto de Toledo.

Ele utilizou material reciclável e recebeu o apoio de voluntários, que maquiaram e fotografaram os estudantes. Ao mesmo tempo, o comércio local emprestou roupas e adereços para compor as fotos.

A professora da Rede Municipal de São Paulo (SP), Maria de Fátima Coutinho Cardoso, declarou: “Eu tive que conter o choro. Foi maravilhoso ouvir o professor contar a história dos projetos, pelo fato dele ser do Nordeste, os níveis de aprendizagem lá são altíssimos e não ficamos sabendo.”

Ética e ensinar a viver

A psicóloga e professora doutora em Filosofia, Viviane Mosé, proferiu a palestra sobre o novo modelo de pensamento raciocínio em rede (ir e voltar em vários pontos). Com isso, ela abordou transtornos psicológicos entre jovens; conceitos do filósofo Friedrich Nietzsche; Idade Média; Modernidade; ciência; religião; intelectualidade; tecnologia; fake News; ética; desenvolvimento da singularidade do ser e educação.

“A escola ensina a passar de ano, a passar no vestibular e a formar para o mercado de trabalho, mas não nos ensina a viver. O centro da educação não é o professor, é o aluno. Quando o professor ouve o aluno, ele desenvolve o amor, o olhar e a percepção”, enfatiza.

Estudo vivo

“O progresso da sociedade não depende apenas da ciência material. É preciso começar a desenvolver, o quanto antes, a ciência do espírito” (Mokiti Okada). Tomando como base o ensinamento, a mestra em Educação, Camilla Schiavo Ritzmann, apresentou alguns projetos das escolas que monitora e explicou a diferença entre estudo morto e estudo vivo.

“Aprender por aprender é estudo morto. Enquanto aprender algo para ser utilizado na sociedade é estudo vivo”, afirma.

O participante e professor de Filosofia, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Diogo Silva Corrêa, diz: “Todas as falas tinham uma integração, um elo, na perspectiva de pensar a espiritualidade, a cultura de paz e a educação ambiental, a partir da mudança do pensamento do ser humano.”

Congresso

O congresso recebeu cerca de 200 educadores de diversos lugares do Brasil. O coordenador da SMASS, Fernando Augusto de Souza, agradeceu a presença dos palestrantes, do público e da equipe envolvida na realização do evento.